Reaquecimento e reorganização do setor náutico catarinense

Anderson Nazário*

Com o aumento da procura por novas embarcações nos últimos meses, o setor náutico passou a ter condições de se reorganizar, tomando uma série de medidas que tendem a potencializar os resultados a serem obtidos pelos estaleiros de Santa Catarina, o segundo estado do país na fabricação de embarcações de passeio.

Mas para alcançarem o atual estágio muitos estaleiros precisaram gerenciar seus custos ao máximo, sendo forçados a tomar medidas como reduzir suas equipes, renegociar preços de seus insumos e aprimorar processos internos. Porém, a gestão de custos não seria suficiente para se manterem no mercado e muito menos para buscarem novas oportunidades, tendo sido indispensável também o aprimoramento de suas técnicas construtivas e até mesmo a redefinição de novos produtos.

Assim muitos deles obtiveram mais competitividade, superando concorrentes mais antigos, de várias regiões e inclusive do exterior. Esses estaleiros que tomaram decisões e reagiram à crise, antes que as consequências negativas fossem ainda maiores, passaram a ter condições de lutar por novos mercados, inclusive no exterior, reduzindo suas dependências com o mercado local.

Agora, passada a tempestade e iniciando o retorno do “mar de almirante”, é imprescindível que os empresários do setor náutico se mantenham vigilantes, tomando decisões que continuem a aprimorar a gestão de suas empresas. Uma dessas decisões consiste em avaliar os passivos existentes e agir com a urgência que o caso o requer, antes que as dívidas continuem a aumentar pela simples falta de ação.

Prova disso é a eventual perda de oportunidades de parcelamentos especiais de tributos, como o “Programa Especial de Regularização Tributária”, destinado a tributos federais, cujo prazo de adesão encerra no dia 29.09.2017. Outro exemplo é a renegociação com fornecedores, inclusive através de recuperações extrajudiciais, haja vista a dificuldade em se encerrar uma relação deste tipo, dada a limitação de interessados em ofertar insumos para o setor náutico.

Assim, é indicado que o ânimo existente no setor não permita que se deixe de prestar atenção aos avanços gerencias que se conquistou nos últimos anos, os quais foram indispensáveis para a sobrevivência daqueles que continuam no setor e agora usufruem de muito mais musculatura para continuar atravessando as “tempestades” do mercado náutico.

*Anderson Nazário é especialista em Direito Tributário, Direito Ambiental e Direito Empresarial, diretor do escritório Nazário Advogados Associados e diretor da Acatmar.

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