Alimentação com baixo consumo de carboidratos foi o tema central de seminário e workshop realizados em Florianópolis

O primeiro Floripa LowCarb, com o apoio da Associação Brasileira Lowcarb, apresentou evidências científicas em palestras com grandes nomes da Medicina e Nutrição

 

Com o objetivo de posicionar a “Low carb” (dieta com baixo consumo de carboidratos) entre as estratégias de saúde disponíveis para pacientes nos hospitais e propagar seus benefícios para todos que desejam aderir a uma alimentação saudável, foi realizado no último fim de semana, na capital catarinense, a primeira edição do Floripa LowCarb. O evento, que contou com um seminário com intensa programação de palestras e também um workshop – apresentando estratégias práticas de aplicar a low carb no dia a dia –, trouxe a Florianópolis nomes que são referência na área; entre eles, os médicos José Resende Barros Neto e José Carlos Souto, este último o presidente da Associação Brasileira LowCarb (ABLC).

                                                                                                                                                   Fotos: Luciana Moreira

Para a idealizadora e coordenadora do Floripa LowCarb, Mariana Bastian, o objetivo é fazer da low carb uma estratégia alimentar possível dentro dos consultórios. “As pessoas têm que estar informadas e saber que é uma opção de saúde, sim”, explica Mariana, que organizou o seminário ao lado da mãe, a nutricionista Mari Abreu, e o marido, o médico do aparelho digestivo Carlos Bastian. Outra meta estabelecida é fortalecer a ABLC. “Através de uma associação podemos debater, questionar órgãos públicos sobre a conduta da saúde pública. A associação servirá também para conferir autenticidade a produtos com o selo low carb, protegendo quem realmente é doente, como os diabéticos, que precisam da dieta como estratégia de saúde”, completa Mariana.

 

Um dos palestrantes presentes, José Resende Barros Neto, médico especialista em Clínica Médica e Nefrologia, explicou sobre a importância da saúde baseada em evidências e desmistificou lendas como a estratégia de alimentação low carb prejudicar órgãos como a vesícula e o coração. Neto ressaltou, também, o quanto as universidades de Medicina estão defasadas, não introduzindo cadeiras de Nutrição. “Minha avó que usava banha de porco sabia mais de nutrição do que eu, formado em Medicina”, brincou. O médico destacou ainda a interpretação equivocada e tendenciosa de pesquisas, principalmente as que demonizaram, anos atrás, o consumo de gorduras.

 

O seminário também abordou a questão da disciplina, imprescindível para a efetividade de dietas que exigem mudança de comportamento. Felipe Tuono, coach nutricional e treinador comportamental, realizador do I Seminário Gaúcho de Alimentação Paleo Low Carb, sugeriu ao público que planeje as datas que deseja “furar a dieta” ao longo do ano. “É preciso que assumamos autorresponsabilidade, para fazermos escolhas que fazem sentido para nós, sem nos deixarmos influenciar pelos outros”, disse Tuono, que auxilia médicos e nutricionistas na manutenção e adesão ao plano alimentar por parte dos pacientes. Para ele, “a autorresponsabilidade nos dá protagonismo”.

 

Talvez o nome mais aguardado pelos inscritos no seminário, José Carlos Souto trouxe dados alarmantes sobre a saúde pública. “Apenas 12% da população americana goza de boa saúde e mais de 50% dos brasileiros tem sobrepeso. Não faz sentido empregar uma mesma pirâmide alimentar para todo mundo”, disse o médico, fazendo alusão à defasada pirâmide que traz em sua base os alimentos ricos em carboidratos como massas, pães e cereais. O Presidente da ABLC também esclareceu lendas como o consumo de gorduras ser prejudicial; e mostrou-se assustado por muitos hospitais ainda optarem por gorduras como a margarina em vez da gordura animal, como manteiga e banha de porco. “Adotar a low carb como uma das estratégias padrão é questão de saúde pública”, alerta.

 

Entre os estudos científicos apresentados por ele na palestra, um deles – publicado em veículos respeitados da área da Medicina mas sem repercussão na grande imprensa – comprova que “a gordura saturada aumenta as partículas de LDL grandes, que não aumentam o risco cardiovascular”. Souto finalizou a sua explanação dizendo que “os únicos bichos obesos são os que comem a comida do ser humano”.
 

 

Outra presença aplaudida pelo público foi a da nutricionista Polyana Freitas, gaúcha conhecida como a “nutri das panelas”. Além de compartilhar receitas práticas e mostrar que é possível ter refeições fartas e saborosas seguindo a estratégia low carb, Polyana ressaltou que “não adianta seguir uma dieta à risca de segunda a sexta e no fim de semana ter dois dias de ‘lixo’”. Ela sugere pequenas porções (cerca de 30g) de amêndoas e castanhas para lanches à tarde.

Acompanhe o Floripa LowCarb no Instagram para saber das próximas realizações: 
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