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O jovem inquieto da advocacia: Guilherme Silva Araujo pelos tribunais deste paĆ­s

  • Dariele Gomes
  • 9 de jun. de 2020
  • 6 min de leitura

A inquietude na juventude existe para todos, o que diferencia um ser do outro nessa fase da vida é como cada um lida com as suas aflições e para onde as canaliza. Jovem, Guilherme Silva Araujo, advogado, empresÔrio e professor, com apenas 28 anos de idade, usa a sua inquietude para fazer a diferença por onde passa. Guilherme Silva Araujo tem duas especializações, uma em Direito Processual Civil e outra em Ciências Criminais, além de ser mestrando em Direito pela Unesc.

Ainda na infĆ¢ncia, Araujo desenvolveu o hĆ”bito pela leitura e assim descobriu o prazer pela informação, pela busca do conhecimento, o que só seria o ponta pĆ© inicial para instigar o seu jeito inquieto. Ele conta que a leitura expandiu a habilidade para falar em pĆŗblico, produzir textos e comunicar-se de forma geral. No caminho entre a adolescĆŖncia e a juventude, a tarefa de escolher uma profissĆ£o a seguir. ā€œCom 15 anos de idade cheguei a prestar vestibular para Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Atingi a pontuação necessĆ”ria para ingressar no curso atravĆ©s do percentual de cotas de Escola PĆŗblica, mas por falta de instrução deixei de preencher tal opção na hora da inscrição. Foi grande a decepção comigo mesmo pelo erro que me tirou da Universidade Federal. Alguns meses depois meu pai sugeriu o curso de Direito e entĆ£o fiz o vestibular. Entrei meio sem quererā€, comenta o advogado.

O Direito e a Ɣrea criminal

Desde entĆ£o, Araujo mergulhou no universo do Direito e ousa dizer que foi escolhido pela advocacia criminal. Ele reforƧa que alĆ©m de buscar por aquilo que se sonha, Ć© importante seguir os sinais que a vida dĆ”. ā€œA vida dĆ” sinais a todo o tempo. Eu estagiei desde o quarto semestre da faculdade em um escritório que atuava em quase todas as Ć”reas, menos a criminal. Mas, algo em mim gostava da Ć”rea criminal e fora do escritório eu acompanhava congressos e palestras, alĆ©m de seguir referĆŖncias como o juiz catarinense Alexandre Morais da Rosa, os advogados Aury Lopes Jr., Jader Marques, Ɖrcio Quaresma, ClĆ”udio GastĆ£o da Rosa, dentre outrosā€. Ainda nesse escritório, jĆ” formado, um importante cliente empresarial precisou de um advogado criminal e entĆ£o ele pĆ“de atuar no seu primeiro caso na Ć”rea. ā€œEu senti que era a hora, a advocacia criminal estava vindo atĆ© mim. Assumimos a defesa, elaborei um habeas corpus e obtivemos o trancamento do processo no TJSC. Foi meu primeiro caso criminal enquanto advogadoā€, comenta Araujo.

Em seguida uma sociedade entre amigos e colegas de profissĆ£o, resultaria no nascimento do escritório Araujo & Sandini, hoje com unidades em Garopaba e Florianópolis, e mais dois escritórios em fase de abertura nas cidades de Imbituba e TubarĆ£o, em Santa Catarina. ā€œNosso primeiro caso de grande repercussĆ£o nĆ£o demorou a chegar. Um menino indĆ­gena havia sido morto em frente Ć  RodoviĆ”ria de Imbituba/SC por um golpe de estilete. A mĆ­dia só falava nesse caso. EstĆ”vamos ainda montando o escritório e fomos contratados para defender o homem acusado. Todo o processo e o JĆŗri tiveram cobertura da imprensa e felizmente minha atuação foi bastante elogiada por toda a dificuldade que envolvia o caso, o que me deu logo uma boa projeção como criminalistaā€.

De lÔ pra cÔ, o jovem Guilherme ganhara destaque como advogado, professor e presidente de uma das comissões mais importantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santa Catarina, estando a frente da Comissão de Assuntos Prisionais da instituição.

Mesmo tão jovem, como é ter sido escolhido para presidir uma das comissões mais atuantes da OAB/SC?

Araujo: Quando recebi a ligação do gabinete do presidente da OAB/SC Rafael Horn me informando da escolha dele e me chamando para a posse, fui tomado de surpresa e alegria. Eu havia manifestado para amigos a minha vontade de ser presidente, mas sabia da dificuldade porque era uma posição almejada por muitos advogados criminalistas, com muito mais tempo de estrada que eu. Acredito ser o Presidente mais novo das cerca de 100 comissƵes. Ɖ um grande desafio presidir um grupo com cerca de 70 qualificadĆ­ssimos advogados e advogadas, especialmente em um momento de necessĆ”rio debate sobre os rumos que as polĆ­ticas de aprisionamento tomam no Brasil, que ocupa hoje a 3ĀŖ posição no ranking de populaƧƵes prisionais no mundo.

O que a advocacia, o poder de deter de informação para fazer justiça, significa para a sua vida?

Araujo: Significa independência e liberdade. A advocacia é uma profissão que me permite ser o que eu realmente sou, não me sujeitando a pensamentos institucionais. Sendo advogado eu posso postular em juízo aquilo que acredito e defender ideias que fazem sentido para mim. A advocacia, sobretudo a criminal, têm um papel essencial de controle à atividade punitiva do Estado. Não se trata de buscar impunidade, mas de colocar freios ao aparelho repressivo estatal, sujeitando-o a controle legal e constitucional.

Como você faz para conciliar o empreendedorismo, a carreira de advogado com dois escritórios e centenas de casos, a OAB, ministrar aulas, cursos, palestras, alimentar constantemente suas redes sociais com conteúdo e ainda dar atenção aos seguidores?

Araujo: Ɖ preciso gostar muito do que se faz e dormir pouco (risos). Tanto no escritório quanto na ComissĆ£o da OAB tenho equipes maravilhosas que me permitem ocupar uma posição de gestĆ£o e delegar funƧƵes. Isso possibilita ter mais tempo para preparar aulas e lecionar, bem como ministrar cursos e palestras. Tanto na ComissĆ£o quanto no escritório procuro ter pessoas de confianƧa e que desempenham funƧƵes bem definidas em um processo coordenado e organizado.

Ɖ notória a sua presenƧa nos meios digitais e a influĆŖncia que vocĆŖ tem sobre os outros advogados e estudantes de Direito, como que isso aconteceu?

Araujo: Eu sempre fui adepto a compartilhar os meus conteúdos e dividir experiências nas redes sociais. Pela constância e pelo valor desses conteúdos fui me tornando referência para jovens advogados e estudantes de Direito. Foi através da presença digital que o meu nome foi sendo conhecido em outras regiões do país, e os convites para palestras e mentorias foram surgindo.

E sobre a oportunidade de lecionar, compartilhar o conhecimento com jovens estudantes, o que isso significa pra vocĆŖ?

Araujo: Ɖ muito satisfatório poder participar da formação jurĆ­dica de estudantes de graduação, pós-graduação, cursos e mentorias. Me motiva muito, especialmente por tambĆ©m ser jovem e conseguir estabelecer uma comunicação com a mesma linguagem, o que facilita o processo ensino-aprendizagem. Procuro ser mais do que um entregador de conteĆŗdo, mas proporcionar reflexƵes.

Atualmente, o Araujo empreendedor quer expandir para quais lugares? O que almeja como empresƔrio?

Araujo: Meu objetivo é levar o escritório Araujo & Sandini para o centro do País. Temos planos de nos estabelecermos com uma unidade em São Paulo. Tudo acontece lÔ e com a advocacia não é diferente.

Quando recebe um novo cliente, o que você preza nessa relação?

Araujo: Confiança! Quando o cliente conhece o advogado que estÔ contratando e confia nos seus serviços, tudo flui melhor. O melhor cliente é o que chega até nós com referências, conhecendo nossa história e a nossa forma de trabalhar. Uma das piores coisas para um advogado é ter que no meio do processo mostrar seu valor ao cliente. Isso suga energia, gera ações precipitadas e uma relação instÔvel, cheia de atritos.

Em relação ao Direito de forma geral, como você vê o acesso das pessoas aos seus direitos?

Araujo: O Brasil peca muito no que diz respeito ao acesso à justiça, especialmente das pessoas mais vulnerÔveis. Nosso judiciÔrio, apesar do grande esforço dos servidores e magistrados estÔ completamente sobrecarregado, especialmente em razão de uma cultura do litígio que se formou nas últimas décadas. As pessoas se processam por qualquer coisa, e isso faz com que causas realmente importantes tramitem lentamente por anos, fazendo muitas vezes que direitos fundamentais pereçam.

Diante do convĆ­vio com tantos jovens no meio acadĆŖmico, vendo a juventude e sua inquietude, o que vocĆŖ aconselha? Aquele conselho que vocĆŖ gostaria de ter recebido no inĆ­cio ou que recebeu e repassa a eles.

Araujo: Estabeleça metas muito claras, não pare até conseguir e aproveite o trajeto. Vejo muita gente perdida, entregando seu destino à sorte, não assumindo as rédeas da própria vida. Uma meta só é alcançada se é visualizada de forma muito nítida. Alguns percalços irão ocorrer, mas se a meta estÔ bem desenhada, você vai superÔ-los. Não esqueça de aproveitar o trajeto, ou seja, viver, conhecer pessoas, se divertir, contemplar, descansar.

O que o Guilherme gosta de fazer quando não estÔ lecionando ou advogando?

Araujo: Eu aproveito muito a vida. Sou viciado em trabalho, mas não sou escravo dele. O meu trabalho serve para que eu possa ter condições de viver e aproveitar a vida, se não, não tem sentido nenhum trabalhar tanto. Eu gosto de viajar, de ir à praia, ver filmes, séries, ler coisas não jurídicas, estar com os amigos, conhecer restaurantes, pessoas, ouvir música. Enfim, acho que tudo o que um jovem de 28 anos gosta de fazer.

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